2013

Selo 10 anos de Fenibat + Fenilitio

2023

REVISTAS

27/04/2026

news image

BRASIL ENTRA NA CORRIDA GLOBAL DAS BATERIAS COM MEGAFACTORY DE ÍONS-LÍTIO DE PADRÃO INTERNACIONAL

Liderada pelo SENAI Eletroquímica (Curitiba-Brasil), nova planta com capacidade de ~ 10 MWh/ano e foco em células cilíndricas e prismáticas, posiciona o país como protagonista emergente na transição energética e na construção de uma cadeia nacional de alto valor agregado.

A transição energética global acaba de ganhar um novo capítulo na América Latina, e o Brasil assume protagonismo. Está em fase avançada de implementação a primeira planta nacional de produção de células de baterias de íons-lítio, com capacidade de ~ 10 MWh/ano, contemplando duas das principais geometrias utilizadas globalmente: cilíndrica e prismática.

O projeto, liderado pelo SENAI Eletroquímica, consolida o país como um novo polo emergente em tecnologias de armazenamento de energia, com potencial para impulsionar toda a cadeia produtiva nacional.

Infraestrutura de padrão internacional.

A planta foi concebida com base nas melhores práticas globais de manufatura de baterias, com equipamentos adquiridos da empresa SUNTE, referência internacional no fornecimento de soluções industriais e integração de sistemas.

A equipe técnica brasileira já passou pela etapa de Factory Acceptance Test (FAT) diretamente na fábrica do fornecedor, garantindo a validação dos equipamentos e a transferência de conhecimento crítico. Neste momento, o projeto avança para uma das etapas mais sensíveis do processo, a preparação da sala de controle de umidade, condição essencial para assegurar a qualidade e segurança na produção de células eletroquímicas de alto padrão. Esse rigor técnico posiciona a planta em um patamar competitivo internacional, abrindo caminho para o desenvolvimento de produtos com alto valor agregado no Brasil.

Um projeto estruturante para o Brasil.

Mais do que uma planta industrial, essa iniciativa representa um investimento estratégico para o país. O projeto foi viabilizado com apoio do programa Rota 2030, com financiamento coordenado pelo SENAI Departamento Nacional e pela EMBRAPII.

A execução conta ainda com o suporte técnico do CPQD e a participação ativa de um consórcio formado por 27 empresas que, ao final do projeto, terão acesso a baterias desenvolvidas e produzidas no próprio território nacional.

Esse modelo colaborativo fortalece o ecossistema de inovação, conectando indústria, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico.

Indução da cadeia de valor e soberania tecnológica.

A implantação dessa MEGAFACTORY representa um marco indutor para o desenvolvimento da cadeia de valor de baterias no Brasil. Desde a engenharia de materiais até a integração em sistemas energéticos e aplicações automotivas, o projeto cria as bases para a nacionalização progressiva de tecnologias críticas. Em um cenário geopolítico global marcado por instabilidades e disputas por recursos estratégicos, como o lítio, a capacidade de produzir localmente células de baterias torna-se não apenas uma vantagem competitiva, mas uma questão de soberania nacional. Além disso, a iniciativa promove o desenvolvimento de competências técnicas de alto nível, formando especialistas e consolidando o Brasil como referência em eletroquímica aplicada ao armazenamento de energia.

Governança e visão de longo prazo.

Dada a relevância estratégica e o volume de investimento envolvido, algo próximo de U$ 13 milhões, foi estruturado um comitê consultivo com a participação de entidades representativas do setor automotivo. Esse fórum tem papel fundamental na orientação das diretrizes tecnológicas, alinhando o projeto às demandas reais da indústria e às tendências globais de eletrificação.

SENAI Eletroquímica, uma Referência Nacional.

No centro dessa transformação está o SENAI Eletroquímica, que se consolida como a principal referência nacional em soluções tecnológicas, pesquisa aplicada e serviços especializados em baterias, sistemas de armazenamento de energia e interoperabilidade em sistemas de recarga de veículos elétricos. Com essa nova infraestrutura, o instituto não apenas amplia sua capacidade de atuação, mas também posiciona o Brasil de forma mais competitiva no cenário internacional.

Conclusão.

A implementação da primeira planta de baterias de íons-lítio da América Latina é mais do que um avanço tecnológico é um movimento estratégico que conecta inovação, indústria e soberania. Ao criar as bases para uma cadeia produtiva nacional robusta, o Brasil dá um passo decisivo rumo ao futuro da energia, assumindo um papel ativo na transição energética global.

Empresas e instituições parceiras e entidades do conselho consultivo.

Linha de fabricação do Slurry (Ink) do material ativo do anodo e catodo

Linha automatizada de fabricação dos eletrodos. À frente, carrinho transportador do Slurry-Ink produzido nos misturadores.

Linha automatizada de produção do Jelly Roll para células cilíndricas.

Linha automatizada de montagem das células prismáticas.

Linha automatizada de produção de packs com células na geometria cilíndrica



Marcos Berton, D.Sc. | Pesquisador Chefe | Gerência de Tecnologia e Inovação

whatsapp